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Becas y convocatorias
Quando o Leça (Laetitia, de alegria ou fecundidade) encontra os Leixões (Leichoens, pedregulhos), criava uma foz rasa, estendida em estuário que protegia embarcações das correntes do Atlântico Norte.
A fertilidade do rio, criou vários lugares que ainda se vêm na paisagem, usando os montes para se proteger dos ventos (noroeste e sudeste), procurar o sol e ter controle visual do vale. Desde os povos ibéricos, habita-se essa foz generosa. Por séculos, as Bouças (matas que mantinham as plantações das villas) eram mantidas com o sargaço e o pilado (vegetação e frutos-do-mar usados como fertilizantes), numa simbiose entre culturas de terra e de mar.
A igreja do Bom Jesus das Bouças, a mais próxima do mar nessa zona, impõe-se na paisagem. Não apenas para ver, mas para ser vista, pelos povos e pelas embarcações. Assim, o povoamento vai lentamente enfrentando a dureza do mar. Até que o porto, que deu nome à maior vila da região, se mostra insuficiente, o estuário sofre obras. Indissociáveis, a terra e o mar mudam juntos: abaixo da superfície, a areia se acumula e estende a praia sobre os pedregulhos, já acima - a atividade concentra edifícios que afogam a leitura dessas implantações primevas.
Aquela espessura de relação que existia na foz teve que caminhar para a praia, junto com a areia. Mesmo mais expostas ao vento e ao mar, as construções mais sensíveis são excepcionais. Apesar de estar na praia, a Casa-de-Chá tem as fundações rasas, nas pedras. As usa para se proteger dos ventos sudeste, e sua coberta baixa, como as casas rurais, protege do vento noroeste, deixando ver e buscando o sol. A Piscina das Marés, entre muros de contenção e rochas, recria as pontes e as piscinas naturais que o povo encontrava na foz. Conforme o nível marítimo sobe, o clima agrava, e as atividades comerciais continuam a se mover pelo território, é preciso recuperar essas formas nomear, vendo além da superfície, tanto da terra quanto da água.
Estudiante
Universidade do Porto - Faculdade de Arquitectura
Porto | PORTUGAL