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Becas y convocatorias
"Era o meu espaço mental em forma, tinha tudo aquilo que acreditava. Nunca quis janelas, queria uma relação táctil com o meu exterior, o vidro sempre me pareceu uma mentira. Transporta-nos um falso exterior, em que os cheiros, os sons, as formas e as cores são alteradas. Queria três janelas viradas para o céu, esse lugar comum a qualquer paisagem. Sempre tive a última morada de Lewerentz na minha memória, queria aquela atmosfera, em que tudo apontava para a intensidade dos pensamentos, para a “verdade” das coisas. Quando abria a minha única janela, aquela paisagem transformava-se no resto da minha casa - e vice-versa. Sempre gostei destes jogos-em-andamento. Lembro-me de viajar até ao norte de Espanha e estacionar no cabo Finisterra de frente para a América. Cheguei, fui abrir a janela e a um metro de mim um pequeno muro, de cinquenta centimetros que me protegia de uma falésia de mais de cem metros onde as ondas batiam e traziam pequenos vapores para dentro. Deitado só via a linha de horizonte e o pôr do sol de um dia de verão que se demorava e rasgava o meu quarto. Sempre gostei destes jogos, que só a solidão pode provocar, a simplicidade das coisas simples."
(Acho que nunca a desenhei)
Arquitecto
Universidade do Porto - Faculdade de Arquitectura
Porto | PORTUGAL